Reverie 11 - Realathos
Um olhar, o brilho, o lampejo da eternidade que transluz num feixe de luz de sol que perpassa pela íris de castanheira.
Por que dos lábios que se movem como ondas os sons se fazem tão confusos? Se os olhos, essa janela da alma, diz todo um infinito de emoções que parecem guiar o ser por entre todas as eras?
Por que é tão difícil ser real? Se desnudar àqueles que carregam suas mais belas intenções, é tão complexo assim?
Penso que poderia ser como caminhar com os pés descalços pela relva macia e suavemente fresca pelo orvalho da manhã, o tropeçar no dedinho mindinho um do outro, quando os dois corpos pretendem ocupar o mesmo espaço, que nos lembra a doçura do toque.
Ser real e ir além do fundo do olhar ou das palavras que se cascateam no movimento da língua e no silvo por entre os dentes.
Ser real como uma poesia, que não se traduz ou que se explica pela concordância verbal e regras gramaticais, já que em vão é o recurso mais barato daqueles perdidos como eu.
Ser real sem um mapa e sobrepujados pela ânsia do infinito, tatear os traços de outro corpo em busca de direção, procurar casa em mais um abraço, enquanto numa outra carícia esperar que seja gerado energia o suficiente pra fazer as pálpebras sequer se abrirem. Que o corpo por inteiro possa apenas...
SENTIR
Sentir que, oque há de mais íntimo seja compartilhado sem palavras, sentir uma troca que não exige tradução de almas que calejadas por toda sua história pede apenas vida.
Sentir que, apesar de todas as dores o olhar e voz acalentam os anseios mais profundos, e as inseguranças se esvanecem diante de tal sentir.
Sentir oque há de mais real, a presença da verdade que não pede voz, não pede ação, pede sim uma outra vida que partilha o amor e não apenas paixão.
Haverá algum feitiço ou mantra que alivie uma dor tão intensa que se propaga por todo o infinito de nosso ser?
Haverá alguma forma de aliviar toda a imensa vontade de encontrar aquele que supostamente nosso universo admira e almeja?
Haverá algum tempo em que não seremos distanciados pelas palavras? Essas que enganam e bailam em nossas mentes como para ironizar a falta de discernimento daqueles que se intitulam mestres dela?

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