Reverie 7 - A crisólita da Alma
"(...) Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão."
~Clarice Lispector. Água viva. 1973.
Eu sei... sei o quanto pode ser difícil estar numa situação de confronto, uma situação em que é preciso escolher. Decidir sempre me pareceu a maior e mais difícil das dores que eu preciso com frequência enfrentar, mas eu enfrento! Se não faço por sabedoria, o faço por teimosia! Há tempos tenho guardado essas palavras dentro do meu coração, pensei, repensei, cantei, chorei e até orei repetidas vezes essas mesmas palavras que não me deixam dormir um dia sem lembrar delas.
Eu quero viver, eu quero sentir a vida ao seu máximo e ao mesmo tempo me delongar em cada pequeneza dos dias amenos, eu quero sentir oque eu tiver de sentir sem sombras de dúvida de que oque eu vivo é real, que oque eu vivo não seja fruto de uma encenação para saciar as dúvidas e confusões alheias. Eu quero muita coisa pra mim e não são coisas relacionadas apenas a grandezas mundanas, sinto que meu ser almeja dia após dia a grandeza do sentimento, das sensações e das experiências. Quero mergulhar em cada momento vivido sem medo de desbravar a escuridão, escuridão que vou encontrar nos mergulhos que eu der, mas eu sinto que só consigo fazer isso se eu tiver a certeza de que eu não estou com pés e mãos atados em mentiras, de que não estou em uma peça da qual eu esteja encenando algo que não me cabe e que eu mesma nem sei que participo.
Quero viver as dores verdadeiramente, quero viver as tristezas na sua pior e mais bela forma, abraçar com gratidão as alegrias ou exorcizar do corpo e mente os sentimentos que não me são destinados. Por querer tanto viver plenamente prefiro saber se eu sou só mais um breve trecho na vida dos que me cercam ou se pensam que sou mais do que uma página de pequenas dores com aventuras rasas e momentâneas. Se tudo isso que penso e escrevo agora que reflito no mais íntimo do meu ser de alguma forma não tiver significância alguma para quem lê, então me diga!
Me diz que eu não sou correspondida de verdade, diz que só continuou aqui porque nos permitimos viver de forma inconsciente e até mesmo inconsequente. Diga que estes momentos são frutos dos meus cegos sentimentos pois, de alguma forma ou são cegos ou são anseios suficientemente obsessivos e nenhum deles me parece de bom tom aceitar de fato. O que eu peço é que sejam verdadeiros quanto aos sentimentos que possuem sem medo de me magoar!
A mágoa e a tristeza existem para serem sentidas, não inventem algo que não existe, pois não somos alheios a elas, então que sejam vividas por inteiro e enterradas em definitivo. O universo nos entrega tantas possibilidades, mas nenhuma delas logrará se não procurarmos ser verdadeiros conosco e sinceros com nossas decisões… Uma alma que se alimentou da verdade uma vez, pela falta desta perecerá!
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