Reverie 2 - Dificuldades na projeção do pensamento pela escrita e fala
Em algum lugar me recordo de uma reflexão que tive a respeito de como a escrita seria uma projeção da forma do nosso pensamento e a nossa fala por conseguinte articularia a forma deste pensamento. No processo de ruminar essa reflexão que aparentemente encaro praticamente como uma certeza na falta de uma reflexão mais apurada, se tornou amargo entender o quão falho é o desempenho do meu cérebro ao raciocinar certas ideias. O vão incomensurável entre uma ideia e outra penso ser às vezes desorientador. Embora em aparência ao menos, o quanto já sei e a infinidade de coisas que tenho a aprender enquanto viva, parecia estar em conformidade com a ideia razoável de que nunca saberemos muito do que se tem por saber.
No entanto, a quantidade e proporção dessas lacunas aparentemente aumentaram, fico a pensar qual será o motivo da gênese dessa percepção? Com a dificuldade mais latente na organização da escrita e fala tenho meditado na seguinte questão: Meus neurônios estão a deteriorar rapidamente ou só tenho olhado por tempo demais para meu interior e percebido mais espaços inutilizados entre os pensamentos do que antes eu percebia? A segunda hipótese parece menos dura do que a primeira obviamente, porém não é de longe algo que pudesse considerar positivo. Todas as dificuldades que passo ou passei me levaram a acreditar que eu consciente ou inconscientemente desejei aprender sempre mais, bem além disso, aprender bem!
Enxergar os detalhes das ideias, as subjetividades inerentes, aparentes ou subentendidas, pensar por mim, seguir um raciocínio que aparentemente fosse meu e crítico o bastante para os padrões gerais. Então apesar de escrever tudo isso acredito que preciso aceitar o fato de que eu talvez não tenha nunca pensado por mim mesma. Outro raciocínio ou cogitação que dói em digitar para salvar na memória, pois nada mais é do que afirmar a mim que nem mesmo o que escrevo agora pode ser considerado com certeza de ser intrínseco ao meu pensamento ou ao menos único.
Por vezes esse raciocínio me leva a comparação de que pareço mais ser um clone dentre tantos outros nesse mundo, eu tenho tantas coisas que aparentemente possam se r vistas ou entendidas como diferenciais para me destacar da multidão, porém talvez não sejam... Então parece que restarão mais dúvidas, hipóteses e questionamentos do que qualquer certeza que tente me encontrar, sejam elas sobre como escrevo ou como falo, mas sobre a fala, fica para outras notas...
"As fronteiras da minha linguagem são as fronteiras do meu universo."
〰Wittgenstein, Ludwig. Philosophical Investigations -1953.
![]() |
How to be so sure that what you're thinking, it is what you really do want to think about? |


Comentários
Postar um comentário
Try to be nice if you can :)